Terça-feira, seis de abril de 2010: a cidade do Rio estava debaixo d’água. Encostas abaixo, ruas alagadas, os cidadãos presos em suas casas e carros. Esperar uma melhor infra-estrutura da cidade? É melhor aguardar o temporal passar e as águas baixarem. Mas, para alegria de todo carioca, o período de chuvas passou e chegou a época de sol. O Rio, agora sede das Olimpíadas de 2016 e uma das cidades protagonistas da Copa do Mundo de 2014, planejava a mudança, a melhoria de boa parte da cidade. Promessas encantadoras, propostas que pareciam realistas recheadas de políticios e intelectuais por trás. Nesse cenário vieram as eleições para presidente, governador, senadores, deputados federais e estaduais. Mesmo com todo o acesso à informação e à mídia que temos hoje, não é um hábito nacional procurar pelos feitos (e talvez não-feitos) ou pelo passado de todos os candidatos que caíram nos nossos gostos. Também assistimos ao famoso Tropa de Elite 2, tão aguardado pelos cinemas nacionais e, genuínamente, um puro retrato da realidade carioca. A falta de senso crítico e as propagandas habilidosas taxaram o programa de instalação das UPP’s como uma realização divina, que acabaria com a violência de uma vez só. Mas o problema não está localizado, porque é generalizado. A pena é que a moral não permitiu que José Padilha abrisse nossos olhos antes das eleições.
Eis que chegamos na atual semana dos dias 21, 22, 23 e 24 de Novembro. Provavelmente será lembrada na retrospectiva 2010 da Globo como “A semana do terror no Rio”. Em contraste com as chuvas de Abril, a cidade foi surpreendida e tomada com o calor, com o fogo dos carros e ônibus incendiados pelo tal crime organizado, tão crucificado pelo governador Sérgio Cabral e sua trupe. À minha mente veio a palavra “trupe” ao invés de “equipe”, porque, como cidadã da região metropolitana, me sinto obrigada a assistir um espetáculo de circo: Os trapalhões na Cidade Maravilhosa. Mas não faço nenhuma analogia ao nosso querido Mussum e seus companheiros, já que o objetivo deles era o sorriso do povo brasileiro. Já os nossos políticos nos fazem rir de tanto desespero, de tantas hipocrisias e falcatruas que são realizadas bem debaixo do nosso nariz e, por isso, não podemos ver. “O que os olhos não veêm, o coração não sente” e, assim, esquecemos os erros incalculáveis cometidos por nossa atual e futura equipe de governo. Equipe essa que é duvidosa, que expulsa traficantes das favelas e deixam um vácuo que pode vir a ser ocupado pelas milícias. Onde estão as promessas justas? O que os intelectuais da política pretendem fazer nessa situação? As providências que estão sendo tomadas talvez sejam as mais viáveis para o presente e não para o futuro. Repreender para corrigir? Por que não corrigir pra repreender? Para os que diziam que os próximos 4 anos seriam de terror por causa de uma bruxa é tempo de repensar e procurar os verdadeiros monstros.
Talvez esperar pela chuva, esperar que ela apague o fogo e acalme os ânimos dos traficantes, dos marginais seja mais rápido do que esperar a eficiência da nossa bancada de governantes. Pela primeira vez na vida, os cariocas vão desejar que as nuvens permaneçam em nosso céu.
O contraste com as chuvas de Abril
24 novÀ (ausência de) Fé
5 novVocê acredita em Deus? Acredita em alguma força maior? Diz que sim. Diz que acredita. E reza, e ora, e implora. Pede por mim, porque minhas preces já não adiantam mais. É a paisagem do sertão que não muda, é o fim que parece cada vez mais próximo. Reza, ora, implora. Pede por mim. Porque o meu pedido já não faz mais efeito. É tanta angústia, é tanta agonia… Que virou falta de fé. É isso! Eu sou um imenso vazio: eu sou a falta de fé. Mas hoje eu choro, diante de palavras, diante de letras… Eu só não choro diante dos números porque nunca tive fé neles. Eu rezo, eu oro, eu imploro pra ter minha fé de volta. Minhas palavras de volta. Minhas letras… quero todas de volta. Culpo-me por não ter acreditado antes, por ter julgado-me sabichona. Sabichona de nada é isso que eu sou. Pensava que rezar, orar e implorar era coisa de gente fraca. E eu? Eu era forte. Eu não precisava dessas crendices. Era toda, toda achando que meu peito era de ferro e minha cabeça de ouro. Mal sabia eu que o ferro podia ser corroído e o ouro podia virar pó. E, enquanto eu achava que estava me lapidando, ia me consumindo. Cada vez mais e mais e mais. E minha fé ficava pra trás. Quem precisa de fé? A paisagem do sertão pode ser alterada com a ciência e o fim também adiado pela ciência. Pois é… Mal sabia eu, que a natureza sobrepõe tudo isso e, o que vem da natureza que é capaz de mudar ou amenizar as consequências? A fé. Em algo Divino, em algo Cristão ou em algo Pagão. A fé em algo de fora que cultuava a fé em algo de dentro. Talvez o externo nem importe tanto agora, mas a minha fé de dentro… Foi-se. Feito o pó de ouro: tão leve e ao mesmo tempo preciosa. Espalhou-se na imensidão e no vazio que se tornou meu ser. E agora? Eu peço à ti, que acredita, que tem medo e coragem pra vencê-lo: reza, ora e implora por mim. Pra que eu volte à acreditar. Pra que, dentro do meu infinito, talvez eu volte a me achar.
