Ecos

4 jan

Decidi compor o rumo que as palavras tem quando você está diante de mim. Não é só o excesso de tristeza ou a enorme calmaria que você me passa. É um conjunto… Seu perfume, seu cabelo, seu olhar. Eu queria descrever como isso entra em mim e invade e domina e  me tira os pés do chão. A areia que moldava a nossa forma, a água que batia nos nossos pés. Era como se eu estivesse deitada em estrelas, por mais que, naquele dia, elas não estivessem presentes em nosso céu. Querubim… Calma, tem gente na praia. Olha só os dois caras olhando. O que, você tá de carona? Ecos e mais ecos do que eu poderia facilmente resumir o meu universo, naquele momento, em versos. Eu me perco entre a minha imaginação, na qual reprisam os momentos que passamos juntos. Só de pensar que foi por um impulso que, naquela festa, sabe-se Deus porque, eu te chamei pra dançar. Como se você dançasse. Ali, naquele momento, minha criatividade se fez, mergulhada no seu jeito, digamos, diferente de ser. Poesia? Fernando Pessoa. Música? Los hermanos. Seu nome gravado pra sempre na minha memória. Eu estava incrédula, diante de uma paisagem que eu jurava que fazia parte. Relembrando o nosso primeiro encontro, há 5 anos atrás, eu quase me deixo acreditar que você me mostrou que eu era um peixe de oceano vivendo em um aquário. Mente fresca, cabeça aberta porém, mãos atadas diante de sonhos tão incríveis, tão exóticos. Sonhos que nem todo mundo sonha. Foram 5 anos que passaram e quem seria o anormal de não mudar? O anormal que não estaria diferente? “Todo mundo que é normal, muda”. Não eram essas as tuas palavras? E eu, por mim, estava incrivelmente diferente. Talvez você estivesse também, mas eu não consegui te decifrar por completo. Isso foi o que mais me incomodou e me instigou. Isso é o que me mantém presa. Presa à vontade de dizer que meus olhos procuram você, que os meus olhos querem você. Sem parar. Eu estou acorrentada à essa vontade de ouvir a sua voz meio rouca, meio bêbada. Eu estou sonhando acordada, com você batendo em minha porta, me fazendo viver novamente. Eu sei que eu não sei nada do que se passa em sua mente. Eu sei que não faço a menor ideia de tudo, mas eu não me importo. Isso torna ainda mais poderoso o baque que você me faz sentir. Está a chegar o momento em que eu vou conhecer, dublar e adorar cada milímetro seu. Enquanto eu espero, vou descrevendo você de maneiras diferentes, de todas as cores, em mim.

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