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De volta para o passado

4 fev

Sim, é comum o título do post. Mas, dessa vez, eu quero falar de forma angustiada sobre essa necessidade de buscar as coisas do passado, que tem virado uma onda ultimamente. Podem dizer o que for dos pseudo-cults-alternativos-intelectuais-e-chatos, mas a verdade é que a necessidade de deixar o passado pra trás foi tanta que as pessoas do presente não souberam o que fazer com o futuro. Esse futuro não veio errado, mas veio com liberdade demais. E sob o efeito dessa liberdade demasiada, a atitude não marcou presença. Mas não que tenha atitute de menos… Ela apenas foi menosprezada perto de tantas facilidades. Justamente por ser deveras fácil dizer que há atitude de menos que eu não digo. É atitude de menos dizer que não existe atitude. Infelizmente, a descrença que foi colocada nesse termo provém da época que a mesma não deu muito certo. Até mesmo pela TV a gente repara as sombras da ditadura, como uma preocupação ainda grande em lutar contra a censura e as campanhas dos desaparecidos políticos daquela época ainda estão por aí. Esse foi o resultado da “atitude” dos anos 60, 70 e 80. Daí, as pessoas que permaneceram sentadas em seus lares começaram a duvidar se realmente existiu essa atitude e por quê não pensar que ela foi em vão. Hoje realmente talvez já não nos caiba mais a tarefa de mudar o mundo. A gente precisa apenas continuar com o nosso mundo em constante mudança. E a nossa mudança se encontra no pensamento. E fazer uma busca nas ideologias do passado (que de alguma forma, nos levaram à algum lugar) faz sentido. Faz sentido buscar as inspirações da época, a música, o estilo. De alguma forma, o que mais somos obcecados é pelo “feeling” da época. A época em que as coisas mais simples se tornavam as mais deslumbrantes. E, de fato, são as que realmente são deslumbrantes. Onde dar uma volta em um carro bacana nunca vai se comparar à uma caminhada pela Urca. Onde andar descalço na areia de ipanema nunca vai ser mais divertido do que ter um tênis de plástico que apareceu no jornal. O excesso de liberdade, o excesso de informação… Esse excesso tornou a capacidade de discernir as coisas muito complicadas, muito instáveis. Não entendemos mais que o excesso causa sobras e sobrar não é algo legal. Se começarmos a agir de modo em que não tenha excesso de nós mesmos já é a prova viva de que estamos em constante mudança. E isso é o que faz a diferença dentro de você.

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